Comentário: "Os ultra-ricos preparam um mundo pós-humano" - Douglas Rushkoff

O texto traz um relato de uma reunião de grandes possuidores de bens financeiros e um palestrante. O debate gira em torno de como a tecnologia e seus avanços interferem no mundo e como as pessoas reagem a isso. Basicamente trata-se de um impacto socioambiental desastroso que os poderosos causa em busca de lucro, mas ao invés deles tentar formas de minimizar o desastre (O "Evento"), buscam alternativas de fuga que só estão acessíveis a eles e uma minúscula parcela da raça humana. É bem perceptível a ideia de individualismo e isolamento que está ali presente e pode-se facilmente conectar-se com a lógica modernista de divisão arquitetônica por função. Na esfera do TRABALHO foi levantado em debate como as empresas intensificam o ambiente a ponto de criar uma bolha de isolamento. A maior parte do dia das pessoas é no trabalho, isso enfraquece vínculos fora dali principalmente os familiares. Até mesmo nos finais de semana os trabalhadores são mantidos dentro dessa bolha através dos típicos "clubes de firma", onde os frequentadores são os mesmos que o trabalhador vê todos os dias. Já na esfera do LAZER, vem a ideia de segregação e novamente isolamento. as camadas menos favorecidas tem o lazer atrelado a meios públicos, muitas vezes abandonados pelos governos e vistos de forma preconceituosa. Enquanto isso, os ricos se divertem tranquilamente em seus imensos resorts sem nem se dar conta com o que tem além daqueles muros. Aprofundando principalmente na esfera da HABITAÇÃO, é como se os detentores de poder fugissem e se trancassem em seus quartos, se isolando do mundo e de outras realidades. Foi discutido como isso também acontece num âmbito ligeiramente maior, os condomínios fechados, que oferecem os serviços básicos para se viver, mas que limitam o seu olhar e experiência àqueles muros. Cria-se então um microuniverso particular. Outra questão levantada foi como exageros desnecessários em moradias de luxo poderiam ser revertidos para causas sociais, como pessoas que moram em área de despejo. Aqui abre-se um questionamento: por que não utilizar os meios tecnológicos para ajudar as outras pessoas e evitar o "Evento" ao troco de fugir por  lados incertos que poucos teriam acesso? Marte um dia também se esgotará se não haver uma mudança de pensamento, até quando se isolar e fugir? 

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